quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
"Clarisvânia “ uma aluna inteligente demais
1
Só Deus para ajudar
Nessa grande confusão
Pois uma aluna inteligente
Que estudava lição
Só tirava nota baixa
Veja que perturbação
2
Maldade ou ignorância
Num sertão desse Brasil
Onde certa professora
Quase quase destruiu
O futuro de uma aluna
Uma vida estudantil
3
Mas mentira sempre perde
A verdade sempre ganha
E no final dessa história
Que parece tão estranha
Veremos que triunfará
A aluna Clarisvânia
4
O oficio de ensinador
Não é para qualquer um
Não é por necessidade
Tome currículo pá-pum!
Ensinar é uma missão
A lição número um
5
Quem se mete a professor
Quando não tem vocação
O que faz é trapalhada
Bota o pé pela mão
Comete muita injustiça
Como nesta ocasião
6
Que uma professora ingrata
Sem miolo na cachola
Dava muita nota ruim
Para todos na escola
Até se o cara sabia
A mulher não dava bola
7
De tanto ela botar zero
Será que a professora via
As respostas dos meninos
Quando prova corrigia?
Quem sabe na casa dela
De preguiça só dormia
8
E quando o dia amanhecia
Na pressa de se arrumar
Ia tacando zero em tudo
Para o serviço adiantar
Botava as provas na bolsa
E se punha a caminhar
9
Só podia ser assim
É a única explicação
Por que parece impossível
Zeros nessa proporção
No Brasil ensino é fraco
Mas exagero assim não
10
Vamos tentar entender
Se uma aluna que sabia
Uma menina aplicada
Tanto zero merecia
E vamos saber também
Que a professora fazia
11
A aluna se chamava
Clarisvânia de Alencar
Ela andava 6 quilômetros
3 para ir 3 pra voltar
Pra chegar na escola dela
E só zero ela arranjar
12
Pois mesmo que ela dormisse
Com livro por travesseiro
Fosse aula particular
Durante o ano inteiro
Parecia ter feito nada
Pois zerava o teste inteiro
13
A mãe dela era Dinalva
E não sabia o que fazer
Já que sempre corrigia
Tava certo seu dever!
Tinha até coisas a mais
Dava raiva só de ver
14
Nas provas de Geografia
Matéria que ela amava
As capitais dos países
Até da China acertava
Em Gramática então
Ela nunca se apertava
15
Ao ditongo decrescente
Ela dava explicação
-Vogal forte é primeiro...
Como: mãe e coração
Tá ouvindo mãe querida
Como eu sei minha lição?
16
Dona Dinalva ouvia tudo
As lágrimas segurava
Clarisvânia inteligente
E tanto zero levava
Não tá certo meu Senhor!
A mulher se revoltava
17
Um dia ela diz a filha:
Nós temos uma saída
Diga a essa professora:
Eu quero ser argüida
Estude um pouco mais hoje
Pra ficar bem prevenida
18
Se pegue com Geografia
E decore as capitais
Das nações que tem no mundo
Não fique uma só pra trás
Quero ver se ela te enrola
Quero ver se ela é capaz
19
Clarisvânia diz: tá certo
Vou gostar do desafio
Eu tiro tudo isso a limpo
Por que muito desconfio
Que do jeito que eu estudo
Eu mereceria uns mil
20
No outro dia Clarisvânia
Chega cedo na escola
Tudo na ponta da língua
Que ela já nem via a hora
De enfrentar a professora
E fazer o bota fora
21
E logo veio a professora
Com teste pra cima dela
Clarisvania devolveu
E foi dizendo para ela
Eu não quero prova escrita
“O negócio era na goela”
22
E categoricamente
Pediu pra ser argüida
A professora respondeu
Não está sendo atrevida?
Meu horário aqui é pouco
Acabo logo em seguida
23
Não vou ficar me empatando
Com aluna especial
Que rejeita prova escrita
E só quer a prova oral
Aqui não é faculdade
Ainda é Fundamental
24
Clarisvânia logo diz
Professora vou dizer
Não é o que lhe parece
Não tô querendo aparecer
Só lhe fiz essa proposta
Pra poder esclarecer
25
Por que estou levando zero
Você pode me dizer?
Por que isso acontece
Se tá certo meu dever
Se respondo direitinho
Mãe revisa pode crer!
26
Pois se aqui ficam calados
E não querem nem saber
Comigo é diferente
Já que eu quero aprender
Se eu não tiver estudo
O que é que eu vou ser?
27
Ela peitou a professora
E a mulher se intimidou
Pois disse logo pra ela
Vamos lá pro corredor
A gente resolve tudo
Clarisvânia: por favor,
28
Lá fora a professora
Fala despreocupada
-Tudo bem essa menina
Toda classe tá passada
Aluno repetir ano
Já é coisa ultrapassada...
29
Clarisvânia diz ô gente!
Passar sem saber de nada?
E lá no vestibular
A turma tá preparada
Pra concorrer com os outros
De uma escola avançada?
30
E os zeros que estou levando
A senhora faz o quê?
Minha mãe corrige tudo
Acompanha meu dever
A professora lhe responde:
Deixe lá que eu vou rever.
31
Chega em casa Clarisvânia
Pra sua mãe tudo esclarece
Quando a pobre dela escuta
Dinalva quase enlouquece
Filha! Pelo amor de Deus
O que foi que tu disseste
32
Então virou brincadeira
Eu não aceito isso não
No tempo que eu estudava
Tinha até Admissão
Se aluno não estudava
Ele não passava não
33
Tudo bem que hoje em dia
Passe burro analfabeto
Mas a tua professora
Não está agindo certo
Ela não corrige nada
Isso não está correto
34
Mas veremos mais pra frente
O que ela vai aprontar
Qual é mesmo da bruaca
E que nota que vai dar
Uma coisa ela já sabe
Tu tens mãe pra te cuidar
35
Clarisvânia continuou
A estudante exigente
Chegava cedo à escola
A mesma aluna de sempre
Preocupada com futuro
Nos estudos consciente
36
Fim de mês ela faz testes
Esperou por resultado
A nota dela veio 100
Negócio táva mudado
Mas as notas dos meninos
O zero táva encarnado
37
Isso lhe preocupou
Em casa pra mãe relata:
Por uma parte estou bem
Eu tirei nota bem alta
Mas por outra estou triste
A coisa é muito chata
38
O resto dos coleguinhas
Só tiraram nota baixa
Diga lá minha mãezinha
Quê que a senhora acha
Tá certo um negócio desse
Vão passar tudo na faixa
39
Por isso não tão ligando
Nem olham pra resultado
Vão passar de qualquer jeito
Ninguém tá aperreado
Mas comigo é diferente
Isso tá esculhambado
40
Com raiva a mãe dela diz
Eu vou no grupo escolar
Levo toda tuas provas
Para diretora olhar
Se ela não revisar tudo
Ah!O bicho vai pegar
41
Vamos até pra São Paulo
Se for para tu estudar
Na capital Bandeirante
Tem colégio particular
Vai ter muitas opções
Tu vás puder te formar
42
Há de existir um lugar
Que ajuda quem quer estudar
Tua cabeça é boa filha
Por isso vou me esforçar
Largo roça boi e vaca
Na mão de Deus vai ficar
43
Dinalva respira fundo
Depois de desabafar
Começa a pensar melhor
Começa a se concentrar
Não pode ser desse jeito
Ela tem que se acalmar
44
E no outro dia cedinho
Frente ao grupo escolar
Esperando a porta abrir
Pobre mãe estava lá
No que chega a diretora
Ela vai lhe acompanhar
45
Dinalva muito nervosa
Fala tudo sem parar
Aquelas provas na mão
Já pesando pra danar
A diretora pergunta
Vai voltar a estudar?
46
Vou não, é de Clarisvânia
E começa a relatar
Diretora eu desconfio
Que lhe vão é sabotar
Minha filha sabe muito
Você pode acreditar
47
Ela sabe geografia
Matemática e ciência
Diretora por favor
Já estou sem paciência
Eu vejo os deveres dela
De tudo tenho ciência
48
A diretora diz pra ela:
Que tudo irá corrigir
Que ela beba uma água
Que o negócio vai fluir
Que não fale no momento
Para não lhe distrair
49
Não demora a diretora
Grita: olhe meu Deus aqui!
Essa menina em matemática
Mais, vezes, subtrair
Tudo certo ela é demais
Ninguém pode discutir.
50
Que essa professora fez?
Mandem ela vir aqui
Se ela é despreparada
Ela tem que se assumir
Em minhas mãos tenho provas
Tá demais tudo isso aqui
51
Logo entra a professora
E começa a chorar
Disse: por necessidade
Inventei de ensinar
Me dê as contas diretora
Já não passo agüentar
52
A vergonha é muito grande
Como pude acreditar
Que eu tinha vocação
De ir pra classe ensinar
Corrigir tanto dever
É difícil pra danar
53
Perdoe-me dona Dinalva
Diretora vou-me embora
Nunca mais eu me atrevo
De ensinar assim na tora
Não nasci para isso não
E de escola eu tô fora
54
A diretora lhe despede
Dando um longo sermão
Não se meta a ensinar
Procure outra profissão
Vá em paz minha senhora
Que eu já sei minha missão
55
Vou tomar conta da turma
E os alunos passarão
O trabalho vai ser duro
Mas não tem problema não
Contarei com Clarisvânia
Pra fazer a correção
56
Dinalva também ajuda
As mães incentivará
A olhar mais pelos filhos
Não deixar a Deus dará
Vá em paz professorinha
Tudo se resolverá
Fim da primeira parte.
Esta história continua, aguarde um próximo folheto.
obs.Clarisvânia é uma obra de ficção qualquer semelhança com fatos ou pesrsonagens terá sido mera coincidência
1
Só Deus para ajudar
Nessa grande confusão
Pois uma aluna inteligente
Que estudava lição
Só tirava nota baixa
Veja que perturbação
2
Maldade ou ignorância
Num sertão desse Brasil
Onde certa professora
Quase quase destruiu
O futuro de uma aluna
Uma vida estudantil
3
Mas mentira sempre perde
A verdade sempre ganha
E no final dessa história
Que parece tão estranha
Veremos que triunfará
A aluna Clarisvânia
4
O oficio de ensinador
Não é para qualquer um
Não é por necessidade
Tome currículo pá-pum!
Ensinar é uma missão
A lição número um
5
Quem se mete a professor
Quando não tem vocação
O que faz é trapalhada
Bota o pé pela mão
Comete muita injustiça
Como nesta ocasião
6
Que uma professora ingrata
Sem miolo na cachola
Dava muita nota ruim
Para todos na escola
Até se o cara sabia
A mulher não dava bola
7
De tanto ela botar zero
Será que a professora via
As respostas dos meninos
Quando prova corrigia?
Quem sabe na casa dela
De preguiça só dormia
8
E quando o dia amanhecia
Na pressa de se arrumar
Ia tacando zero em tudo
Para o serviço adiantar
Botava as provas na bolsa
E se punha a caminhar
9
Só podia ser assim
É a única explicação
Por que parece impossível
Zeros nessa proporção
No Brasil ensino é fraco
Mas exagero assim não
10
Vamos tentar entender
Se uma aluna que sabia
Uma menina aplicada
Tanto zero merecia
E vamos saber também
Que a professora fazia
11
A aluna se chamava
Clarisvânia de Alencar
Ela andava 6 quilômetros
3 para ir 3 pra voltar
Pra chegar na escola dela
E só zero ela arranjar
12
Pois mesmo que ela dormisse
Com livro por travesseiro
Fosse aula particular
Durante o ano inteiro
Parecia ter feito nada
Pois zerava o teste inteiro
13
A mãe dela era Dinalva
E não sabia o que fazer
Já que sempre corrigia
Tava certo seu dever!
Tinha até coisas a mais
Dava raiva só de ver
14
Nas provas de Geografia
Matéria que ela amava
As capitais dos países
Até da China acertava
Em Gramática então
Ela nunca se apertava
15
Ao ditongo decrescente
Ela dava explicação
-Vogal forte é primeiro...
Como: mãe e coração
Tá ouvindo mãe querida
Como eu sei minha lição?
16
Dona Dinalva ouvia tudo
As lágrimas segurava
Clarisvânia inteligente
E tanto zero levava
Não tá certo meu Senhor!
A mulher se revoltava
17
Um dia ela diz a filha:
Nós temos uma saída
Diga a essa professora:
Eu quero ser argüida
Estude um pouco mais hoje
Pra ficar bem prevenida
18
Se pegue com Geografia
E decore as capitais
Das nações que tem no mundo
Não fique uma só pra trás
Quero ver se ela te enrola
Quero ver se ela é capaz
19
Clarisvânia diz: tá certo
Vou gostar do desafio
Eu tiro tudo isso a limpo
Por que muito desconfio
Que do jeito que eu estudo
Eu mereceria uns mil
20
No outro dia Clarisvânia
Chega cedo na escola
Tudo na ponta da língua
Que ela já nem via a hora
De enfrentar a professora
E fazer o bota fora
21
E logo veio a professora
Com teste pra cima dela
Clarisvania devolveu
E foi dizendo para ela
Eu não quero prova escrita
“O negócio era na goela”
22
E categoricamente
Pediu pra ser argüida
A professora respondeu
Não está sendo atrevida?
Meu horário aqui é pouco
Acabo logo em seguida
23
Não vou ficar me empatando
Com aluna especial
Que rejeita prova escrita
E só quer a prova oral
Aqui não é faculdade
Ainda é Fundamental
24
Clarisvânia logo diz
Professora vou dizer
Não é o que lhe parece
Não tô querendo aparecer
Só lhe fiz essa proposta
Pra poder esclarecer
25
Por que estou levando zero
Você pode me dizer?
Por que isso acontece
Se tá certo meu dever
Se respondo direitinho
Mãe revisa pode crer!
26
Pois se aqui ficam calados
E não querem nem saber
Comigo é diferente
Já que eu quero aprender
Se eu não tiver estudo
O que é que eu vou ser?
27
Ela peitou a professora
E a mulher se intimidou
Pois disse logo pra ela
Vamos lá pro corredor
A gente resolve tudo
Clarisvânia: por favor,
28
Lá fora a professora
Fala despreocupada
-Tudo bem essa menina
Toda classe tá passada
Aluno repetir ano
Já é coisa ultrapassada...
29
Clarisvânia diz ô gente!
Passar sem saber de nada?
E lá no vestibular
A turma tá preparada
Pra concorrer com os outros
De uma escola avançada?
30
E os zeros que estou levando
A senhora faz o quê?
Minha mãe corrige tudo
Acompanha meu dever
A professora lhe responde:
Deixe lá que eu vou rever.
31
Chega em casa Clarisvânia
Pra sua mãe tudo esclarece
Quando a pobre dela escuta
Dinalva quase enlouquece
Filha! Pelo amor de Deus
O que foi que tu disseste
32
Então virou brincadeira
Eu não aceito isso não
No tempo que eu estudava
Tinha até Admissão
Se aluno não estudava
Ele não passava não
33
Tudo bem que hoje em dia
Passe burro analfabeto
Mas a tua professora
Não está agindo certo
Ela não corrige nada
Isso não está correto
34
Mas veremos mais pra frente
O que ela vai aprontar
Qual é mesmo da bruaca
E que nota que vai dar
Uma coisa ela já sabe
Tu tens mãe pra te cuidar
35
Clarisvânia continuou
A estudante exigente
Chegava cedo à escola
A mesma aluna de sempre
Preocupada com futuro
Nos estudos consciente
36
Fim de mês ela faz testes
Esperou por resultado
A nota dela veio 100
Negócio táva mudado
Mas as notas dos meninos
O zero táva encarnado
37
Isso lhe preocupou
Em casa pra mãe relata:
Por uma parte estou bem
Eu tirei nota bem alta
Mas por outra estou triste
A coisa é muito chata
38
O resto dos coleguinhas
Só tiraram nota baixa
Diga lá minha mãezinha
Quê que a senhora acha
Tá certo um negócio desse
Vão passar tudo na faixa
39
Por isso não tão ligando
Nem olham pra resultado
Vão passar de qualquer jeito
Ninguém tá aperreado
Mas comigo é diferente
Isso tá esculhambado
40
Com raiva a mãe dela diz
Eu vou no grupo escolar
Levo toda tuas provas
Para diretora olhar
Se ela não revisar tudo
Ah!O bicho vai pegar
41
Vamos até pra São Paulo
Se for para tu estudar
Na capital Bandeirante
Tem colégio particular
Vai ter muitas opções
Tu vás puder te formar
42
Há de existir um lugar
Que ajuda quem quer estudar
Tua cabeça é boa filha
Por isso vou me esforçar
Largo roça boi e vaca
Na mão de Deus vai ficar
43
Dinalva respira fundo
Depois de desabafar
Começa a pensar melhor
Começa a se concentrar
Não pode ser desse jeito
Ela tem que se acalmar
44
E no outro dia cedinho
Frente ao grupo escolar
Esperando a porta abrir
Pobre mãe estava lá
No que chega a diretora
Ela vai lhe acompanhar
45
Dinalva muito nervosa
Fala tudo sem parar
Aquelas provas na mão
Já pesando pra danar
A diretora pergunta
Vai voltar a estudar?
46
Vou não, é de Clarisvânia
E começa a relatar
Diretora eu desconfio
Que lhe vão é sabotar
Minha filha sabe muito
Você pode acreditar
47
Ela sabe geografia
Matemática e ciência
Diretora por favor
Já estou sem paciência
Eu vejo os deveres dela
De tudo tenho ciência
48
A diretora diz pra ela:
Que tudo irá corrigir
Que ela beba uma água
Que o negócio vai fluir
Que não fale no momento
Para não lhe distrair
49
Não demora a diretora
Grita: olhe meu Deus aqui!
Essa menina em matemática
Mais, vezes, subtrair
Tudo certo ela é demais
Ninguém pode discutir.
50
Que essa professora fez?
Mandem ela vir aqui
Se ela é despreparada
Ela tem que se assumir
Em minhas mãos tenho provas
Tá demais tudo isso aqui
51
Logo entra a professora
E começa a chorar
Disse: por necessidade
Inventei de ensinar
Me dê as contas diretora
Já não passo agüentar
52
A vergonha é muito grande
Como pude acreditar
Que eu tinha vocação
De ir pra classe ensinar
Corrigir tanto dever
É difícil pra danar
53
Perdoe-me dona Dinalva
Diretora vou-me embora
Nunca mais eu me atrevo
De ensinar assim na tora
Não nasci para isso não
E de escola eu tô fora
54
A diretora lhe despede
Dando um longo sermão
Não se meta a ensinar
Procure outra profissão
Vá em paz minha senhora
Que eu já sei minha missão
55
Vou tomar conta da turma
E os alunos passarão
O trabalho vai ser duro
Mas não tem problema não
Contarei com Clarisvânia
Pra fazer a correção
56
Dinalva também ajuda
As mães incentivará
A olhar mais pelos filhos
Não deixar a Deus dará
Vá em paz professorinha
Tudo se resolverá
Fim da primeira parte.
Esta história continua, aguarde um próximo folheto.
obs.Clarisvânia é uma obra de ficção qualquer semelhança com fatos ou pesrsonagens terá sido mera coincidência
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Cordel de Michael Jackson e o que disseram os tablóides
Michael Jackson
e os fuxicos dos tablóides
I
Com licença meus senhores
Só um pouco de atenção
Os versos que aqui seguem
Pode ser a salvação
Cuidado com o que pedem
Cuidado com ambição
II
Muitos dizem ai meu Deus !
Como essa vida é ruim
Quando eu vou enriquecer
Vou virar um Aladim
Pra ter o gênio da lâmpada
Obedecendo a mim
III
Quando vou ser Michael Jackson
Sair por ai reboando
Com o bolso cheio de dinheiro
As mulheres me amando
Subir no palco da vida
Ver o povo me aclamando
IV
Será que o povo sabe
Na fria que tá entrado
Ficando assim como besta
Por riqueza se babando
Cuidado gente cuidado
Em ficar ambicionando
V
A vida de Michael Jackson
Não era aquele colosso
Quando o cabôco morreu
O bichim só tava o osso
O rosto se despencou
Só ficou mesmo o esboço
VI
Mudança que fez na cara
Para empinar seu nariz
Mudança na cor da cútis
Que ficou quer ver o Kiss
Tudo tudo despencou
Cadê aquele petiz
VII
Que encantava a moçada
Dando o passinho pra trás
Quem não lembra de: A B C
O menino era demais
Que foi aquilo meu Deus
Cadê Maicon? Nunca mais
VIII
Quando os médicos abriram
Para periciar ele
Encontraram foi cachete
Dentro do abdômen dele
Os peritos se assustaram
Todo mundo era fã dele
IX
A crua realidade
Por detrás da fantasia
No que termina o exame
Teve choro em demasia
Os médicos se retiraram
E ninguém nada dizia
X
Ali desmistificado
O rei do pop jazia
Tava nu e sem glamour
Numa pedra muito fria
Demorou pra acreditar
É que a ficha não caía
XI
Logo veio tanto fuxico
Que pareceram sem fim
Falaram da infância dele
Que seu pai era ruim
Que Maicom vivia preso
Numa torre de marfim
XII
Do pai também disseram
Que só na grana pensava
Que pra Maicon cantar bem
Quase lhe hipnotizava
E que se as rimas errasse
O cinto dele avuava
XIII
Que Maicon perdia aula
Pra puder ir ensaiar
Que às vezes meia noite
O som tava a repassar
Eita que véio exigente
Tão difícil de aturar
XIV
Se Maicom dizia: não canto
Pois quero estudar um pouco
Ser um menino normal
O véio ficava louco
Maicon you gonna shake now!
Ou tu vai levar um soco.
XV
E que foi por causa disso
Que Maicon falava fino
Mesmo quando virou homem
A voz era de menino
O trauma dele foi tato
Que quase virava albino
XVI
Falaram dos seus irmãos
Que todos cantavam mal
E que só viviam de olho
Na fama e no vil metal
Que Maicon logo caiu fora
Mas já tava feito o mal
XVII
Das coisas que fofocaram
Todas foram de matar
Mas a de ficar dançando
Sem ter tempo de estudar
Isso sim foi muito errado
Isso sim foi de lascar
XVIII
Maicon podia se formar
Aprender Filosofia
Quem sabe se desse jeito
Muito melhor não seria
Seguia cantando bem
Mas o mundo entenderia
XIX
O estudo salva o homem
E faz ele compreender
Que dinheiro não é tudo
O que vale é Saber
Pois é quem liberta a gente
E nos faz sobreviver
XX
Se o cabra cresce burro
Se nunca liga pra escola
O que ele achar bonito
Qualquer coisa ele dá bola
Não descobre a si mesmo
Fica só fazendo cola!
XXI
E depois de Maicom rico
Dava sim para estudar
Mas com os bilhões no banco
Ele ia lá se importar
Fama lhe contagiou
Até foi se clarear!
XXII
Mexeu tanto no seu corpo
Que não queria mais se olhar
Passava longe de espelho
Pra não se contrariar
Mas que armada foi aquela
Que seu Maicon foi aprontar
XXIII
Por fim a TV mostrou
Somente o caixão lacrado
Quem sabe se no final
Ele não foi reciclado
Não se viu falar mais nele
Assunto tá encerrado
XXIV
A terra não come Plástico
Só produto natural
Do jeito que ele ficou
Um tanto discomunal
Vai ver virou boneco
Em tamanho natural
Fim
e os fuxicos dos tablóides
I
Com licença meus senhores
Só um pouco de atenção
Os versos que aqui seguem
Pode ser a salvação
Cuidado com o que pedem
Cuidado com ambição
II
Muitos dizem ai meu Deus !
Como essa vida é ruim
Quando eu vou enriquecer
Vou virar um Aladim
Pra ter o gênio da lâmpada
Obedecendo a mim
III
Quando vou ser Michael Jackson
Sair por ai reboando
Com o bolso cheio de dinheiro
As mulheres me amando
Subir no palco da vida
Ver o povo me aclamando
IV
Será que o povo sabe
Na fria que tá entrado
Ficando assim como besta
Por riqueza se babando
Cuidado gente cuidado
Em ficar ambicionando
V
A vida de Michael Jackson
Não era aquele colosso
Quando o cabôco morreu
O bichim só tava o osso
O rosto se despencou
Só ficou mesmo o esboço
VI
Mudança que fez na cara
Para empinar seu nariz
Mudança na cor da cútis
Que ficou quer ver o Kiss
Tudo tudo despencou
Cadê aquele petiz
VII
Que encantava a moçada
Dando o passinho pra trás
Quem não lembra de: A B C
O menino era demais
Que foi aquilo meu Deus
Cadê Maicon? Nunca mais
VIII
Quando os médicos abriram
Para periciar ele
Encontraram foi cachete
Dentro do abdômen dele
Os peritos se assustaram
Todo mundo era fã dele
IX
A crua realidade
Por detrás da fantasia
No que termina o exame
Teve choro em demasia
Os médicos se retiraram
E ninguém nada dizia
X
Ali desmistificado
O rei do pop jazia
Tava nu e sem glamour
Numa pedra muito fria
Demorou pra acreditar
É que a ficha não caía
XI
Logo veio tanto fuxico
Que pareceram sem fim
Falaram da infância dele
Que seu pai era ruim
Que Maicom vivia preso
Numa torre de marfim
XII
Do pai também disseram
Que só na grana pensava
Que pra Maicon cantar bem
Quase lhe hipnotizava
E que se as rimas errasse
O cinto dele avuava
XIII
Que Maicon perdia aula
Pra puder ir ensaiar
Que às vezes meia noite
O som tava a repassar
Eita que véio exigente
Tão difícil de aturar
XIV
Se Maicom dizia: não canto
Pois quero estudar um pouco
Ser um menino normal
O véio ficava louco
Maicon you gonna shake now!
Ou tu vai levar um soco.
XV
E que foi por causa disso
Que Maicon falava fino
Mesmo quando virou homem
A voz era de menino
O trauma dele foi tato
Que quase virava albino
XVI
Falaram dos seus irmãos
Que todos cantavam mal
E que só viviam de olho
Na fama e no vil metal
Que Maicon logo caiu fora
Mas já tava feito o mal
XVII
Das coisas que fofocaram
Todas foram de matar
Mas a de ficar dançando
Sem ter tempo de estudar
Isso sim foi muito errado
Isso sim foi de lascar
XVIII
Maicon podia se formar
Aprender Filosofia
Quem sabe se desse jeito
Muito melhor não seria
Seguia cantando bem
Mas o mundo entenderia
XIX
O estudo salva o homem
E faz ele compreender
Que dinheiro não é tudo
O que vale é Saber
Pois é quem liberta a gente
E nos faz sobreviver
XX
Se o cabra cresce burro
Se nunca liga pra escola
O que ele achar bonito
Qualquer coisa ele dá bola
Não descobre a si mesmo
Fica só fazendo cola!
XXI
E depois de Maicom rico
Dava sim para estudar
Mas com os bilhões no banco
Ele ia lá se importar
Fama lhe contagiou
Até foi se clarear!
XXII
Mexeu tanto no seu corpo
Que não queria mais se olhar
Passava longe de espelho
Pra não se contrariar
Mas que armada foi aquela
Que seu Maicon foi aprontar
XXIII
Por fim a TV mostrou
Somente o caixão lacrado
Quem sabe se no final
Ele não foi reciclado
Não se viu falar mais nele
Assunto tá encerrado
XXIV
A terra não come Plástico
Só produto natural
Do jeito que ele ficou
Um tanto discomunal
Vai ver virou boneco
Em tamanho natural
Fim
domingo, 16 de agosto de 2009
Dia do lançamento do Cordelizando fotos- SHEYLA ARAÚJO
domingo, 9 de agosto de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A TRISTE HISTÓRIA DE UMA VITIMA DA PALMATÓRIA
A TRISTE HISTÓRIA DE UMA VITIMA DA PALMATÓRIA
Autor: Luis Emanuel Cavalcanti
Aqui começo a contar
Uma pequena historinha
Que me contou uma senhora
Chamada dona Lurdinha
E apesar de ser vovó
Ainda cuida da cozinha
Um dia lhe perguntei
Porque ela não estudou
O que a mulher respondeu
Foi terrível e me assustou
Apanhou da professora
Pra escola não voltou
Disse-me que nunca foi
Uma menina levada
Mas às vezes se entretia
E na escola atrasada
A professora batia
E lhe deixava ajoelhada
Era o tempo do governo
Do Dr. Getúlio Vargas
A época da ditadura
De palmatórias amargas
Não tinha uma só criança
Que escapasse dessas larvas
Até sangue dos alunos
Nessa era se tirava
Todo mundo consentia
Quase ninguém se importava
Nos idos anos 40
A lei do cão governava
A velhinha foi falando
Com saudades dos caminhos
Quando para escola ia
Com o seu bom amiguinho
Pedrinho, este o nome dele
Que era também seu vizinho
Quando chegava atrasada
Na sala podia entrar
Mas aquilo era somente
Para o sermão escutar
Às vezes a professora
Botava era pra quebrar
Um dia a ditadora
Na aula de geografia
Perguntou para a Lurdinha
Pra ver se ela sabia
O nome dos continentes
Lurdinha nada dizia
Se arretou a professora
Botou Lurdinha ajoelhada
Torturou a pobrezinha
Parecia endiabrada
Depois virou-se pra turma
Pedindo a tabuada
Martirizada a menina
Rezava à virgem Maria
Pedia pra que ajudasse
Pois o seu joelho doía
E estava envergonhada
Porque toda classe via
Era cinco vezes quatro
A classe se apavorava
Mas Deus logo os acudia
E todo mundo acertava
Porque Lurdinha ajoelhada
A eles exemplo dava
Por fim o som da cigarra
E logo a classe sumiu
A mestra disse levanta
Lourdinha no chão caiu
E a professora malvada
Nem sequer lhe acudiu
E só lhe disse uma coisa
A lição de casa traga
Com o nome dos continentes
Não me dê resposta vaga
Não precisava nem dizer
Que a palmatória era praga
Assim por aquele dia
Do inferno ela se salvava
Foi andando cabisbaixa
E Pedrinho lhe aguardava
Lhe deu logo os parabéns
Porque ela não se entregava
E foram pelo caminho
Ele apoiando a Lurdinha
Levou ela até em casa
Ela ficou alegrinha
Pedrinho nunca deixava
Ela se sentir sozinha
Quando foi entrando em casa
A mãe foi logo dizendo
Eu já conheço essa cara
O que que andas fazendo?
Corre logo pra cozinha
Que o feijão está cozendo
Vá buscar água pra casa
Quando aprontar o almoço
Vamos ver se não esquecesses
De voltar logo do poço
E fazer bem a lição
Para ficar um colosso
Quando foi anoitecendo
Ela da lição lembrou
Procurou nos livros velhos
Mas em nenhum encontrou
Os continentes, com medo
Acho até que ela chorou
Quem iria lhe ajudar
Ninguém ali estudava
O sujeito nem sabia
Onde a Paraíba estava
Imagina o que aquela
Estudante procurava
O anoitecer do sertão
Escurece dando medo
Todo povo sertanejo
Vai pra cama muito cedo
Não da pro cabra estudar
Pois não enxerga o enredo
E quem sabe o que Lurdinha
Em sua cama pensava
Talvez ela até achou
Que a mestra perdoava
E pensando assim dormiu
Porque logo o sol raiava
Sete horas da manhã
Pedrinho lhe esperava
Lurdinha olhava pra ele
E a cabeça baixava
Era uma menina santa
Acho que os anjos amparava
Eles chegaram à aula
Pontualmente na hora
A professora aguardava
Ela dormia na escola
Eles olhavam pra ela
E já queriam ir embora
Ela tinha roupa escura
O cabelo preso inteiro
Era bem alta e gorda
Tinha uma voz de braseiro
Como alguém que foi criada
No mato com cangaceiro
Logo todos se sentaram
E fizeram uma oração
Ela virou pra Lurdinha
Vamos fazer argüição
Lurdinha nada sabia
Não estudou a lição
E já foi se preparando
A mão já vinha estirada
A professora contava
Os bolos desesperada
E os meninos observavam
Lurdinha sem falar nada
O agressor sempre deseja
Ver o agredido apelar
Mas a franzina menina
Não pedia pr parar
A bruaca com mais raiva
Terminava indo chorar
E acertou a menina
Na sua frágil cabecinha
Lurdinha soltou-se dela
E foi pra casa sozinha
Olhem bem que essa menina
Nem dez anos ela tinha
Daquele momento em diante
Encolheu-se numa cama
E foi numa sexta-feira
Por todo fim de semana
A mãe achou que era gripe
Mas Lourdinha não reclama
Só na Segunda bem cedo
Pedrinho deu pela falta
E foi saber da mãe dela
Essa velha quase infarta
Porque a menina estava
Com uma febre bem alta
Lá no seu cantinho só
Com a febre que ela tinha
O que agora lembrava
Uma baleada rolinha
Pedrinho a mãe dela disse
Quase que matam Lurdinha
A mãe pegou a menina
E botou logo no braço
Só assim que reparou
Na cabeça dela um traço
E para o médico a levou
Perguntando o que é que eu faço?
O doutor disse meu Deus
Isso não tem condição
Quem bateu nessa menina
Parece sem coração
Quando é que vai acabar
Com tão grande aberração
A mãe disse seu Doutor
Professor é igual um pai
Se ela não quer mais escola
A hora que quiser sai
Mais uma coisa ela sabe
É pra roça que ela vai
Desse jeito aconteceu
Pra escola não voltou
A mãe lhe botou na roça
Com treze anos casou
Porque desse jeito ela
O ritmo não segurou
É certo que passou tempo
Desde esta atrocidade
Alguns professores tinham
Esse instinto de maldade
Comprometendo o futuro
Trazendo infelicidade
Porque ela ainda sente
A cabeça lhe doer
E quando força sua mente
Para uma frase ler
Parece que de repente
Vê o mundo escurecer
Eu acabei de contar
A lamentável história
Que não só ficou marcada
Lá num canto da memória
Lurdinha não teve chance
Por causa da palmatória
Autor: Luis Emanuel Cavalcanti
Aqui começo a contar
Uma pequena historinha
Que me contou uma senhora
Chamada dona Lurdinha
E apesar de ser vovó
Ainda cuida da cozinha
Um dia lhe perguntei
Porque ela não estudou
O que a mulher respondeu
Foi terrível e me assustou
Apanhou da professora
Pra escola não voltou
Disse-me que nunca foi
Uma menina levada
Mas às vezes se entretia
E na escola atrasada
A professora batia
E lhe deixava ajoelhada
Era o tempo do governo
Do Dr. Getúlio Vargas
A época da ditadura
De palmatórias amargas
Não tinha uma só criança
Que escapasse dessas larvas
Até sangue dos alunos
Nessa era se tirava
Todo mundo consentia
Quase ninguém se importava
Nos idos anos 40
A lei do cão governava
A velhinha foi falando
Com saudades dos caminhos
Quando para escola ia
Com o seu bom amiguinho
Pedrinho, este o nome dele
Que era também seu vizinho
Quando chegava atrasada
Na sala podia entrar
Mas aquilo era somente
Para o sermão escutar
Às vezes a professora
Botava era pra quebrar
Um dia a ditadora
Na aula de geografia
Perguntou para a Lurdinha
Pra ver se ela sabia
O nome dos continentes
Lurdinha nada dizia
Se arretou a professora
Botou Lurdinha ajoelhada
Torturou a pobrezinha
Parecia endiabrada
Depois virou-se pra turma
Pedindo a tabuada
Martirizada a menina
Rezava à virgem Maria
Pedia pra que ajudasse
Pois o seu joelho doía
E estava envergonhada
Porque toda classe via
Era cinco vezes quatro
A classe se apavorava
Mas Deus logo os acudia
E todo mundo acertava
Porque Lurdinha ajoelhada
A eles exemplo dava
Por fim o som da cigarra
E logo a classe sumiu
A mestra disse levanta
Lourdinha no chão caiu
E a professora malvada
Nem sequer lhe acudiu
E só lhe disse uma coisa
A lição de casa traga
Com o nome dos continentes
Não me dê resposta vaga
Não precisava nem dizer
Que a palmatória era praga
Assim por aquele dia
Do inferno ela se salvava
Foi andando cabisbaixa
E Pedrinho lhe aguardava
Lhe deu logo os parabéns
Porque ela não se entregava
E foram pelo caminho
Ele apoiando a Lurdinha
Levou ela até em casa
Ela ficou alegrinha
Pedrinho nunca deixava
Ela se sentir sozinha
Quando foi entrando em casa
A mãe foi logo dizendo
Eu já conheço essa cara
O que que andas fazendo?
Corre logo pra cozinha
Que o feijão está cozendo
Vá buscar água pra casa
Quando aprontar o almoço
Vamos ver se não esquecesses
De voltar logo do poço
E fazer bem a lição
Para ficar um colosso
Quando foi anoitecendo
Ela da lição lembrou
Procurou nos livros velhos
Mas em nenhum encontrou
Os continentes, com medo
Acho até que ela chorou
Quem iria lhe ajudar
Ninguém ali estudava
O sujeito nem sabia
Onde a Paraíba estava
Imagina o que aquela
Estudante procurava
O anoitecer do sertão
Escurece dando medo
Todo povo sertanejo
Vai pra cama muito cedo
Não da pro cabra estudar
Pois não enxerga o enredo
E quem sabe o que Lurdinha
Em sua cama pensava
Talvez ela até achou
Que a mestra perdoava
E pensando assim dormiu
Porque logo o sol raiava
Sete horas da manhã
Pedrinho lhe esperava
Lurdinha olhava pra ele
E a cabeça baixava
Era uma menina santa
Acho que os anjos amparava
Eles chegaram à aula
Pontualmente na hora
A professora aguardava
Ela dormia na escola
Eles olhavam pra ela
E já queriam ir embora
Ela tinha roupa escura
O cabelo preso inteiro
Era bem alta e gorda
Tinha uma voz de braseiro
Como alguém que foi criada
No mato com cangaceiro
Logo todos se sentaram
E fizeram uma oração
Ela virou pra Lurdinha
Vamos fazer argüição
Lurdinha nada sabia
Não estudou a lição
E já foi se preparando
A mão já vinha estirada
A professora contava
Os bolos desesperada
E os meninos observavam
Lurdinha sem falar nada
O agressor sempre deseja
Ver o agredido apelar
Mas a franzina menina
Não pedia pr parar
A bruaca com mais raiva
Terminava indo chorar
E acertou a menina
Na sua frágil cabecinha
Lurdinha soltou-se dela
E foi pra casa sozinha
Olhem bem que essa menina
Nem dez anos ela tinha
Daquele momento em diante
Encolheu-se numa cama
E foi numa sexta-feira
Por todo fim de semana
A mãe achou que era gripe
Mas Lourdinha não reclama
Só na Segunda bem cedo
Pedrinho deu pela falta
E foi saber da mãe dela
Essa velha quase infarta
Porque a menina estava
Com uma febre bem alta
Lá no seu cantinho só
Com a febre que ela tinha
O que agora lembrava
Uma baleada rolinha
Pedrinho a mãe dela disse
Quase que matam Lurdinha
A mãe pegou a menina
E botou logo no braço
Só assim que reparou
Na cabeça dela um traço
E para o médico a levou
Perguntando o que é que eu faço?
O doutor disse meu Deus
Isso não tem condição
Quem bateu nessa menina
Parece sem coração
Quando é que vai acabar
Com tão grande aberração
A mãe disse seu Doutor
Professor é igual um pai
Se ela não quer mais escola
A hora que quiser sai
Mais uma coisa ela sabe
É pra roça que ela vai
Desse jeito aconteceu
Pra escola não voltou
A mãe lhe botou na roça
Com treze anos casou
Porque desse jeito ela
O ritmo não segurou
É certo que passou tempo
Desde esta atrocidade
Alguns professores tinham
Esse instinto de maldade
Comprometendo o futuro
Trazendo infelicidade
Porque ela ainda sente
A cabeça lhe doer
E quando força sua mente
Para uma frase ler
Parece que de repente
Vê o mundo escurecer
Eu acabei de contar
A lamentável história
Que não só ficou marcada
Lá num canto da memória
Lurdinha não teve chance
Por causa da palmatória
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